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22 de novembro de 2007

 

CARTA ABERTA - municipalização

Estamos sob uma sombra que vem não apenas dificultar o trabalho pedagógico que desenvolvemos, mas também a estrutura afetiva e pessoal que temos construído ao longo dos últimos anos, quando a partir de uma decisão conjunta, TODOS OS PROFESSORES, assumiram para si a responsabilidade pela excelência e qualidade do ensino oferecido nesta escola em específico.
A Escola Estadual Professora Dinah Lúcia Balestrero, atualmente tem em seu quadro, cerca de 1.200 alunos do ensino fundamental e médio, e 45 professores em atividade (sendo que a maior parte, de efetivos).
Nos últimos cinco anos, tivemos quatro diretores diferentes, que enquanto pessoas e profissionais, tiveram e/ou têm, metas e objetivos específicos de atuação. Durante esse tempo, passamos também, por momentos difíceis, não apenas disciplinares, mas no direcionamento de nossa prática pedagógica, que por vezes parecia perdida ante às mudanças que invariavelmente, cada nova administração tentava introduzir.
Todas essas variáveis, cansativas e desestimulantes (para alunos, funcionários e professores), acabaram deixando de ser problema, quando a equipe de educadores estabeleceu metas de trabalho e comprometeu-se a desenvolver uma educação de qualidade na escola.
É comum nesta escola, encontrar professores e professoras fora de seu horário de aula, envolvidos em projetos pedagógicos, com alunos e alunas colaborando e participando desses trabalhos. Também é frequente, os professores que cedem seu tempo para ministrar aulas particulares (gratuitamente, em seus horários livres), para estudantes que buscam mais informações ou mais saberes na intenção de prestar o vestibular.
Finais de semanas, feriados e noites e dias em que poderíamos estar em casa, são constantemente trocados pelo comprometimento em promover a verdadeira educação (sejam esses projetos, municipais, federais, estaduais ou particulares).
Jamais houve troca de favores, pedido de reconhecimento ou ditos de quem faz mais ou menos. Os educadores, as pessoas, fazem por um bem comum. Não apenas pessoal, mas principalmente, em função dos outros. No caso, nossos alunos.
Todas essas ações têm demonstrado resultados positivos. Os alunos comparecem às aulas, participam das avaliações e provas, os pais e responsáveis vêem motivos para estar presentes, e recentemente, o interesse pelo vestibular vem aumentando, principalmente no que diz respeito às instituições públicas (nos últimos dois anos, tivemos dois alunos aprovados. Um na USP e outro na UNESP. E nossas perspectivas são as melhores).
Independente disso, a afetividade e as relações quase familiares que desenvolvemos uns com os outros durante nosso trabalho, também são laços que fortalecem todo o conjunto de ações praticadas. As relações são positivas, humanas e de união. Nos horários de intervalo, ou entre os períodos, as pessoas conversam sobre a vida e assuntos diversos. Não há a lendária lenga-lenga contra os alunos ou o sistema, e nem o ambiente de venda de coisas ou de humores ruins. Há sim, um clima de convivência fraterna.
A grande maioria dos professores desta escola, está aqui há mais de três anos. E os que chegam assumindo cargos VAGOS – sejam eventuais ou novos integrantes do quadro, são bem-vindos e logo tornam-se parte da equipe, vestindo realmente a camisa da escola.
Nesta escola, os alunos conhecem a história de sua patrona, compreendem as ações desenvolvidas nos projetos, e acreditam que os objetivos de seus professores, são os de que realmente aprendam, ensinem e sejam colaboradores da formação desenvolvida durante o tempo que passam aqui.
As lembranças são muitas, e de grande significado para todos.
Queremos demonstrar, com tudo isso, o sentimento que nos aflige tanto, com a possível municipalização do ensino fundamental em nossa cidade.
Será o fim da equipe.
Nos reunimos recentemente com o prefeito municipal e com uma supervisora de ensino, e apesar da conversa ter sido até certo ponto, aberta, muitas dúvidas ficaram.
A principal é a que nos atinge especificamente enquanto grupo.
Não um grupo de comadres e compadres, e sim, de um grupo de educadores interessados. Disposto a doar-se e a continuar o trabalho que desenvolvemos.
Se os mais variados estudos da área de educação, demonstram que as políticas educacionais que realmente funcionam são aquelas onde a equipe é forte e dedicada, como é que podemos nos sentir seguros, se a possível municipalização poderá desmembrar esse quadro de profissionais, colocando em seus lugares – lugares adquiridos em concursos públicos – outros que não têm comprometimento com nossa história?
Como é possível que as famílias e os alunos sintam-se seguros ao se ver – de repente, separados dos profissionais em quem aprenderam a confiar, os verdadeiros responsáveis pelas mudanças significativas da qualidade DESTE ESPAÇO ESCOLAR?
Temos muitas dúvidas. E decidimos repartí-las com vocês, que visitam nosso blog.
Entretanto, a principal dúvida é esta: o que acontecerá com ESTA EQUIPE quando a municipalização fatalmente alcançar o município? Os educadores que compõem a Equipe Dinah, que se dedicam e comprometem, que construíram sonhos (inclusive na perspectiva de ter suas famílias aumentadas), serão simplesmente postos para escanteio?
Toda a dedicação, empenho, raça e credibilidade construída nos últimos anos (e que podem ser conferidas nos arquivos aqui do blog - pois não estamos jogando palavras ao vento, desde o ano de 2003), serão realmente ignoradas?
Não temos a intenção de promover atos rebeldes ou nada do tipo, apenas queremos acreditar, continuar acreditando, que a preocupação com a qualidade de ensino não é maquinária, sejam esses interesses de quem for.
E participar à nossa comunidade (real e virtual), as circunstâncias pelas quais estamos passando...
Pois como já disse Paulo Freire: "Me movo como educador, porque primeiro me movo como gente".

Escola Dinah: a equipe que faz a diferença




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Criação, Edição e Atualização
Paulo Antonouza